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Cotidiano
sexta-feira, 12 de março de 2010
Samu faz campanha contra trotes em escolas municipais
Órgão registra até 4 mil chamados falsos por mês em Salvador
 

Por Enoe Lopes Pontes e redação

 

Estudantes de escolas municipais participam da campanha de conscientização para prevenção de trotes do Serviço de Atendimento de Urgência (Samu), o projeto Samu nas Escolas. A idéia é amenizar o problema que atinge o Samu e o Corpo de Bombeiros. Todos os dias, são recebidas ligações telefônicas falsas que fazem com que médicos, paramédicos, técnicos e bombeiros se mobilizem e percam o tempo que poderia ser usado para salvar uma vida e causa gastos desnecessários para deslocamento das equipes.

Estima-se que 1,5 mil, das 4 mil ligações recebidas pelo Samu por mês, são brancadeira. A maioria dos telefonemas é feita por crianças e adolescentes, o que motivou a organização de ações em unidades escolares. Ronaldo Oliveira* diz que, aos 12 anos, quando morava no interior, passou trote para o Corpo de Bombeiros pedindo socorro só para ver a reação dos militares. “Na época, achava tudo isso muito engraçado, mas, hoje, vejo a seriedade disso”, conta, admindo passar trotes atualmente apenas para familiares e amigos.

Para atenuar os efeitos, o projeto busca mostrar à comunidade a importância de um serviço como este e como os chamados falsos podem obstruir a linha telefônica, impedindo que uma pessoa acidentada ou acometida por doenças seja resgatada e salva. Em caso de ataque cardíaco, por exemplo, retardar o atendimento por alguns minutos pode determinar a morte do paciente, porque massagens no peito e respiração boca a boca precisam ser feitas imediatamente depois do surgimento dos primeiros sinais. 

Acredita-se que os meninos têm esta atitude imprópria por não saberem os benefícios destes serviços. Entre as atividades, a equipe exibe um vídeo sobre as atividades do Samu e sanam as dúvidas dos garotos em um bate-papo em sala de aula. Até o final do ano, todas as escolas da rede municipal devem receber o grupo, conforme informação divulgada no site oficial da Prefeitura de Salvador. “Vamos explicar para as crianças como este serviço é importante e as consequências que esta brincadeira pode ter”, conta o coordenador da Samu, Ivan Paiva Filho.

Salvador conta com bases do Samu nos bairros de Itapuã, Boca do Rio, Paralela, Cajazeiras, Brotas, Amaralina, Valéria, Periperi e Pau Miúdo, na Bahia Marina (Vitória), no Hospital Geral Roberto Santos (Cabula), no 5º Centro de Saúde (Avenida Centenário) e no Hospital São Jorge (Largo de Roma). São 14, ao todo. As ambulâncias são preparadas imediato deslocamento, para atendimento em  qualquer ponto da capital. O telefone para chamado é 192.

* Nome fictício para evitar constrangimento à fonte.

Foto: Prefeitura de Salvador


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